segunda-feira, 28 de junho de 2010

Si sei. (por Raffa Gomes)




Sei lá sei ?!
Compreender é ter absoluta incerteza,
falta de direção. Deslumbre com todo
ou qualquer raio de vontade alheia
ao desejo primeiro. Raiz da sensação.

Contando histórias pra si mesmo
sem expectativa. Espécie de pessimismo
sem pés nem ísmos. Momento que acontece.

Fugindo do eterno aqui dentro,
rezando oração dos outros tantos
lá de fora feito necessidade de
criança perguntar porque!
Feito estes olhos que brilham curiosos
pr'entender o que existe e s'encerra
não s'explica.

Avante já está. Agora é viver,
que pensasse antes. Conseqüência é resposta.

Som - Musica de mim (Meu coração batendo)

Êta (por Raffa Gomes)

E eis que ia, lá indo, caia uma tarde belíssima,
lá pr'os outros lados da cidade, numa velocidade
ribeirinha, com algo soprando gostoso nossa face,
com tanta vida voltando a ser vida, sem metafísica
nem alarde, vendo criança brincando na beira da rua,

Lá, feito poesia que se recita n'outro tipo de espaço
coisas avessas que se completam e se enlaçam,
Cheguei lá e lá tinha musica boa, arte sobrando
gente as tantas e possibilidades de tantos tantos,
e aparece lá, uma Ela, preenchendo alguns vazios

desencaixados. Cantando umas coisas bunitas,
carregando alfaia do lado, dizendo que gosta
de arte dita, que quer misturar com as de ato,
sem perder o tom da escrita, tudo junto em misturado
fazendo vontade pra descobertas da vida,

e a gente se virando,
num desenlaço danado
foi entrando na sintonia,
d'uma lida em harmonia
d'um socorro pro outro abraço,

E cumpanhanú us percalço
jogado cas percata nos caminho
vai a gente seguino desatino
de pr'onde a vida qué que o traço
da gente guie, Destinado.

IjMaria, CrenDeusPai apurado.

Vadiage.

Som : O livre-atirador e a pegadora ( Gilberto Gil )

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Dia de reis ( por Raffa Gomes)

E ai, ali estava.
Quando acordei, que não sabia se estava,
reparei mas não vi, havia um alarde
que transfigurava o que à mim, se
"Arrotinava" dia a dia na humilde casa
de rua qu'eu vivia :

Tinha os prédios, tinha as árvores
ainda que poucas e tudo que tinha, e
acabara ali, de nascer um morto
vivendo assim assim, suas poucas horas de vida
com fama e mal gosto.

Ouvi o barulhinho das pessoas burburando,
dado que o motoqueiro que se extendia,
ainda no chão jazia sem comunicação
parecia o ricão dentro do grande
carro intacto e imóvel, quase em sintonia
com o outro que mais vivia,

e decidi que lá chegaria.
Como havia muitos dias que não me
banhava nem comia, só existia com
os corriqueiros nãos que recebia,
cambaleava com todo o sono de
começo de dia, fui aproximando,

e nunca me senti tão rei, importante
gente com vida. Precisava ver: era
como um médico que chega, com uniforme
e maleta e bombeiro por perto.
Ia chegando e o povo abria,
fazia um corredor no meio da bagunça de gente
até lá, onde acontecera o embate.

E ai, ali estava:

Um morto-vivo;
Um vivo-morto e
E eu que existia.
O povo que calava. Vida voôu,

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Epidemia ( por Raffa Gomes)


Agora, é a gente impondo o ritmo da luta,
é o tempo passando só pra gente, e gente
é quem caminha do nosso lado, trincando
na hora da treta, não de punho com o irmão

só com a palavra que guerria pra entrar na
poesia, que tenta ser poesia, sem parecer
discurso inflamado de homens e mulheres
amaldiçoados pela vontade única de não ficar
parados. Cansados já de ver seus barracos
sendo levados, tanto pelo politico quanto pelo
chuva que as vezes parece tambem estar
contra nossa vitória.

Não vitória de quantos vão morrer a mais,
ou quantas morais serão destruídas,
vitória do respeito, harmonia, sem preconceito
do destino de cada um seguido conforme o cada
um segue seu destino, sem policia no meio,
matando a sede de sangue do menino que sai
correndo atrás do remédio pra esposa, não do
dinheiro do pseudo-rico.

Agora é sem volta, e a gente vem chegando,
se não sair da frente vai ser contaminado
não por uma gripe de laboratório, mas
por uma epidemia inteira de boa vontade
e dedicação e agora, é agora,
não adianta querer voltar pra trás mais .

quinta-feira, 25 de março de 2010

Poesia ( por Beth Aquino & Raffa Gomes)





Jorrando do peito vinha,
feição de face, sobre os ventos
que margeavam o entre algo
na vastidão de espaço d'um corpo
a outro, (aquele quase não caber
tudo de quando a gente
esta se olhando)

Caindo caia um qualquer algo
do que parecia outro ser humano nascendo
e não desatento, desperto de todo momento,
aquele instante da vida, parecido a véspera
d'um primeiro beijo, parece que tudo no mundo
é nada, e o que existe é música

e respiração na mesma frequencia.
Toada do organismo da gente
na hora que precisa cantar e afinar a voz
c'outra gente, e dois cantando um.

E vida acontecendo,
e o cheiro do que a historia não contou,
nem a literatura fez ser, porque escreveu:
As coisas acontecem quando a gente não quer;
o querer que impede de vir e a visão.

Muito melhor do que quando a gente queria.
Cachueira

(som - Cangote / Céu)

sexta-feira, 12 de março de 2010

Na forja ( por Raffa Gomes)





Havia, numa pedra torta
tortuosas formas de se fazer a rima
dadas as horas que não passavam
mortas, já que vivas se forjavam
vivas, e sofriam sozinhas nas bordas

Duma vida sem paralelo,
numa história em construção;
conseqüência de correr do tempo
comodismo do corpo em paixão.

No que não servia era expelido
amassa amassa com clarão herdado
fragilizando o que a forja resistia,
resistindo aos anos que não passavam
deixando marcas de terror infindo
tão belas quanto o cheiro adocicado,

das deidades que vínhamos produzindo
roçando corpo a corpo nuns espasmos
nús, sem desejo escrito mas vívidos e
vivídos sem precedentes, contrariando
alguns lados das tradições presentes
quando dizem que precisa ser confortável
o cólo pros corpos em coito ardente,

Brasa do metal em riste
sobre a pedra em lascivos uivos,
liberando faíscas a todo custo,
limalhas de ferro forjando
só um corpo da pedra, do ferro e do fogo..

E o corpo ardendo aquecido,
fundindo aos brados masculinos
e femininos, começa a se derreter
quase líquido quase, erigindo
derramamento em alarde
Ah-lar-de tão seguidos,

forçando o término d'um
embate indistinto de modesto,
calando porque completo
aflito por nova forja.
Agora com suspiros e sussurros.

sábado, 6 de março de 2010

Girassol ( por Raffa Gomes)






Gira sol



Só o sol girando

lá no céu, girava

o sol só e na gira

sol não tonteava;



Alguma dança parecia

a roda da saia do sol

e até a nuvem assumia
parte no vestido da canção!

E a girar, o sol saia:

gira sol, gira !

P’ros olhos desta planta morena

acompanhar-te até o dia


que dia não for mais

e a lua tomar parte na dança
que o sol deixou pra trás.



(som - Fadas / Luis melodia)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Vida, acontecendo ( por Raffa Gomes)




Se eu me chamasse Raimundo, vasto mundo
seria mais um nordestino. Talvez não
nor - destinado, feito rima de cordel atado
pela sina de ser muito bom no que faz e não pode
ou porque a historia não deixa, ou por não saber-se ser !

Mundo vasto senhor Carlos, e nossos corações
continuam grandes pra diabo, só que a gente
não toma conhaque, tem de ser cachaça mesmo,
e doses e mais doses de coragem, pr'enfrentar
dias e mais dias de humilhação trabalhística,
desrespeito de classe, intolerância racial..

Continuamos pegando bondes, porem os de hoje,
chamamos busão, e o que se vê, são braços
amontoando-se n'onde não cabe nem ar nem pernas mais.
E são tantos, que a gente não pergunta mais: por quê ?:
Vive os porquês, de ter de levar pãozinho pra casa
todo dia todo, dias feitos respostas pras respostas,
já que pra pergunta não dá tempo !

O Deus abandonou não, continua aqui, na correntinha
amarrada no pulso e na perna.. Nosso senhor do Bonfim,
todas as Marias de todos os escapulários,
e a Fé, não compramos ali e fraquejar,
fraquejar só na hora que falta a comida, que a gente pensa
e diz: Filha, chora não, logo amanhã a vida melhora.
Se Deus quiser. Amém.

Nossos sertões, esses aqui, são vastos, são sim
feito desertos – de-sertõ-es - mas cheios d'uma alegria,
uma beleza tão impossível e indescrita.
Sem filosofias, nem toxinas financeiras, gritos de
centavos de dólar, politicagens estúpidas como
ficção no cinema.
É aquela vez que a gente sobe no pé de goiaba,
se acaba, e depois tem dor de barriga, com a mãe
brigando com a gente, e cuidando ao mesmo tempo.

E pra isso, senhor Carlos, pra isso não tem Deus,
ou casas olhando, ou gente atrás dos bigodes,
procura de rima, pra enfeitar belezas já.

Tem vida de verdade acontecendo.

Som : Concrete Jungle - Bob Marley (interpretado por Céu)

domingo, 3 de janeiro de 2010

Minha vida aqui hoje ( por Raffa Gomes)



"Solicitude, é uma noite de festa bem dançada,

sem desejos, nem vontade, ou coisaqualquer;

uma verdade de sutil indecência, por ser

sombra do que possa parecer viés do arroxo

de querer encontrar poesia assim, sem ler.


Coisaqualquer. Mágica sem titereiro,

gostosa de se ver iludindo, pra se ter mais certeza

da imundice bela e, e incomparável do ser humano

quando, do intelecto, prefere fugir do certo

pra se saber enganado, ou viver o desafio

d'uma não certeza. Sonhando sabedoria.

Sabendo sonho. Vivendo insegurança.


Insegurança até de viver sabendo que sonha

com sabedoria, e marasmo, e consequencia

como se depois d'umbanhod´águafria sai

reforçando respiração.
Sentindo pulmão vivo..Sai do mesmo pr'estar

num outro proximo, tão bom quanto..
Entender o ar, passando pelo corpo, naquel'ora.


E espirrar, tem mais vida que no meu trabalho.

Só desaforo de quem tá que não aguenta.

Por que pode, e sempre pôde, mas não sabia!

E se sabia, não o fez. Calou."


( Som - Esquinas / Djavan)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Pele Preta e Poesia ( por Raffa Gomes)





A Pele da Preta é poesia
no Porto: Vai e vem e vai
quase balanço de onda, quase caminho
da vela. lirismo abençoado e desajeitado no corpo,
na pele, na selva dos cabelos dela.

Vem e vai já foi.Bela morena que samba
sem samba tocando.Ela que é poesia viva
versada na magia de ser mulher,
sentinela da adoração da gente,
beleza esperta sem predecente de
rasgo na paisagem do sol em pôr,
Boa viagem, Itapuama, Olinda
em clamor pedindo a passagem
da Preta e sua Pele Poesia !


(som - Acabou chorare / Novos baianos)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Sambad'ela ( por Raffa Gomes )




" Cai o véu,
no céu, entôa lôa a lua e no seu canto
vem ela, frasificando versos no corpo,
riso de criança, nuvem boba, axé

da chuva que já não canta,
espanta mau olhado da terra
só pra ela dançar, samba de muleka
serelepe sacudidela pra lá e pra cá

No aqui, onde pirilampos formam velas,
cigarras cigarream apito de samba-enredo,
escola inteira que saracuteia embaixo da saia
n'uma epopéia de vem e vai

formada de flores e folhas,
sonhos inteiros, campos de centeio,
mar aberto, beijos e beijos
beijos e beijos e beijos .."

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Fuçando (por Raffa Gomes)





Assaz, nunca gostei de te deixar ali,
para trás, por sempre , em sonhos santos,
politizar outros encantos
da gente...

É quando se joga os dados
sem preocupar com os números
dado que os lados, não os tem mais.
Quimera de devaneio com matéria!
desfazendo um não sei o que d'arte.

Emergência que bate a porta da vida
e a vida desfaz e restaura!
Sem o saber!

Não me olhava nos olhos
fuçava meus interiores sem pedir para entrar
compunha sinfonia, só por estar...
fazia caracóis curtos
no longo dos meu cabelos
soprava versos inacabados
resolvia chamar de poesia, até
seu respirar cadenciado, só estando..


Som - So mutch Things to say / Lauryn hill

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

In (s) piração ( por Raffa Gomes)

Sabe se será sendo vindo,
veio de veia nascendo e sorrindo
e fervendo trincando téquinho
de pele nossa comprando corpo
inteirinho, fagulhas dum não sei onde
pra um não sei quando se é que
se tem porque e fuzila,
saraivada desrespeitosa na derme

quase adormecendo a gente
seguindo senda de seio quente
faminto só de sossego
depois de respirar inspiração.

Só sendo e indo
e ai a gente descobre e sabe,
mas não diz.
Pa-la-vr a-vôa.

Som - Cangote / Céu

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Inominado ( por Raffa Gomes )




Hoje menina, vem tú como quem fora do tempo,
arrastada com a brisa do mar, a bailar
abençoando com os cabelos laçados
no enredo do teu samba.

Menina que vem sem medo, trazendo
paixão nos olhos e desejos doces
sem escambo, pedindo com gestos
desde o primeiro momento, apenas verdades
despudoradas.

E eu menina, que achava qu'era homem??
Pensava a vida só pensando quase e
a emoção quase sempre segundo plano?
Com tantos e tantos quases quases!
Sem batuques nem pandeiros

Voce com versos voando já, vosciferando menina
de todos os olhos e brincos, moça dos
sonhos bandidos, águas nas bocas de tantos
meninos, sem nacionalismos e brasileira
dos todos os elementos vívidos!

De todas as cores da lua, numa semana
menina, cachoeiras infindas d'águas, humores
amores e gostos e gostos dos diversos amores
ouriçantes que bendizem nossa Raça,
fada das tantas noites a parte das fontes
d'inspiração d'alguns escritores.

Quase rezo encantado, travessia convidando
minutos d'uma sabedoria rica, qualquer jeito
menina, qualquer jeito da tua fala vinda
d'um de dentro pra dizer até quem não tá
sendo visto e vendo

Neste enredo, no meu eu mesmo
vou saber ser nada alem do todo
inteiro que pinga gingado faceiro
tentando arte, requebrando esqueleto
pra te acompanhar. Quebrando pra cima...

Gostar gostando de alguem,
esta no ser e não no agora
por que é gostar de si tambem

São regiões d'um a gente indivíduo,
inexiste porque sempre foi e não
vai esperar, porque está menina, e
estar menina é tanto nele quanto nela,
vivendo o beijo da poesia direta, na fonte, bela
falsa como todos os medos bobos
dominadores que insisto em manter
inominalmente indevassáveis

Amor, é desinformação que não cabe
na beleza da vida viva pulsando,
nem no trejeito do bicho fazendo a cria
ser cria, tanto aqui no zoológico quanto
na mata ou nas baias da nossa
impúdica, clara e proeminente existencia.

O soturno segredo que guardava
de mim, virou embarque de superstição
acalantada, facilitado no colo de tua
mulher menina, pronto como de mãe
que acaba de parir e partir p'ras
novas vidas.

Depois menina, depois está por vir e
o então, é sempre durante.Venho
pra te fazer minha mulher, se me
quiseres como teu homem.Fora do tempo
mesmo, na nossa bolha de ontem
com todos os amores e amigos dentro!

(som - João e Maria / Chico Buarque)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Revelando ( por Raffa Gomes)





O cheiro da noite que começamos,
não terminou. Guardo comigo os nós
daqueles laços, inimaginários, forjados
pela eucaristia que selamos. Numa noite,

É muito para uma já, porém, serelepe
como só se sabe ser, meninice feminina,
ensina e faz relembrar dias inteiros ,
aquela hóstia divina, que não ousamos recusar;

Jeito de menina, dança no ventre
calcada de brasileirismos na pele ardente,
febre viril açoitada por incandescentes amostras
de afeto, dedicação, carinho e humildade, por não saber
onde no exato, que poesia, está para viver..

cantando baixinho, pé d'ouvido,
cachoeira de voz que invade,
braço de rio daqui-de-dentro
parecendo agora, se acertou.

Segredo.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Duas coisos ( por Raffa Gomes)




Não estava lá, mas estava..senti.
Só sabia, sendo saudade pouco sofrimento,
meio que mentira de não saber se se sente
ou finge. O que não se tem é medo de assumir!

É falta de coragem, meio do caminho,
destamanho de palavra que falta, pra dizer
qualquer pedacinho de verso, situação já sendo
estrofe inteira, segundo místico de tão interno
saraivada de arrepio, sem testamento,
vida que passou agora.

Não sou mais nem moço
ou idoso, menino tão pouco,
sou parte do olhar dela.

(sem musica.Desta vez sem)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Ponto e Vírgula ( por Raffa Gomes)


...É que quando a gente nao aguenta, o outro
é consequencia de sentimento.
Desalinho de perceber, que se é apenas as penas
do quando a necessidade alheia é mais importante
que a sua !

Soando, o corpo nem pergunta se se quer,
saber-se palavra d'outro corpo,
corporificando suor de dois mesmos
medindo as lágrimas que me caem depois
não me sendo

negação dos interiores inteiros.
Eu, ponto final do enfim,
ela, vírgula abcessa, descabida
da poesia que teimamos nunca terminar
porque nunca começa.

Existe e existe!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Vôo de borboleta ( por Raffa Gomes)



...Sabe, dá um calorzinho assim

quando tú se aproxima de mim!

Tudo gela,


Estado de peixe confinado

ao aquário, sem saída,

comemorando a vida

no seu vai e vem sem ritmo.Solitário.

Etéreo.


A gente desperta, no mesmo

desatino, descascando a máscara

do susto, que nego, sem risco

de ser descoberto.Novo grito.


E os morangos e as flores

voltam a ter cor...

Os pirilampos recomeçam

a compor luzes e


Logo aqui dentro.

Vôo de borboleta!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A mar ali na .. (por Raffa Gomes)




Diz-se que ela tinha um sol no corpo,
e que tuas águas amainavam os outros
quando vinham em tua pele se banhar,

Diz-se que de quando em vez,
tua mulher, em tempestade,
feroz por não conseguir o intento,
fazia furacão interno tão violento,
a ponto de rasgar com os olhos
todo o fim da tarde.

E, divagando lenda do que se diz,
ela tem mesmo fogo nos olhos,
mas uma meninice aprendiz
destas de assim assim,

de mãe, de mulher, de rainha do mar,
pedaço da lua, vazante de rio, correnteza
avessa ao caminhar da natureza
e que diz, não nem caber num corpo só!

(Som : Amaralina - Comadre fulozinha)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Completude ( por Raffa Gomes)




Só se nosso silêncio fosse presse,
tentiva vã de esquivar das tempestades,
fluxo impúdico e deslizante de fragmentos,
saraivada de instantes adultos sofrimentos
de quando me serve os olhos;

Quase todo o infantil desenho que o nanquim faz,
quando, por desterro, invade a folha branca,
invasão voraz sem permissão, desnorteada
aparição que completa, pinta e fere e perdôa

e alerta, possível tempestade de neve, clareando.
Oceaneando diversidade, tua mulher mostrando
caminhos, d'onde não resta dúvida, dádiva cabe!

Eu sendo folha branca e Ela tinta grave;
Ela sendo tempestade de neve, Eu chão que molha,
mais tarde,
Sou o que ela completa,
És, o que a mim faltava.

Completude.

(Som - O pé , de karinah Buhr )
http://www.myspace.com/karinabuhr

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Vento e mar




Abandonado é como senti.
Dado o vento incauto, sem direção,
invasor do espaço que existia entre nós,
ventres ventos num vem-vai ilimitado.

Reza murmurada rosto a rosto...
Praguejando término que não queremos mais vai aproximando,
e se perde numa elegia de incontáveis versos,
mazela irrecuperável que o vento vadio anima;

Equilíbrio acalorado, correnteza de saudade esguia,
rio que leva e traz um só peixe,
verdadeiro amor líquido desconhecido
insistência de iemanjá no vigoroso movimento do mar,

rasgando a terra desesperada, que espera
e se refaz apressada para logo em seguida recomeçar.
Revelando-se aurora nova, com o nascer do sol
que aprova, aquilo que ousamos conhecer e
queremos mais. Mesmo assim, sozinho aqui. Acompanhado.

sábado, 15 de agosto de 2009

Quando não se quer pensar ( Por Raffa Gomes)





Tá,estou ali.
Onde nunca posso não dizer que existe
fragilidade;Ou forma de incerteza
indeclarada,devido grandes medos infantis
indiretos,astutos,adultismos sem fim !

Forçosa filosofia,
descobrir do inseto ao constelação mais antiga
dentro d'um quarto.Achei aqui.Mal da arte.

E continuo sendo gente,
destes tipos de mostrar a casa toda,
não só a sala,

Sentindo sempre saudosa falta,
de toda esta beleza fria e sedutora
das tardes de inverno, na minha casa
quando todos voces vão embora.
Mesmo estando aqui.

sábado, 25 de julho de 2009

Embalo ( por Raffa Gomes)




Embalar mar bravio,bracejar
acalanto de folha seca a passeio
com barulho de vento nêgo,
caloroso de arrepios.

Soluços que dobram tão iguais,
corpo carregado d'uma saudade
equidistante de tamanho, e força
em sobrenatureza, que força
desafio. Feito grão a rebentar o chão
pra crescer,

pedindo força de chuva, mar de outrora
vaporizado. Sem saber se se quer crescer,
ou ser jovem príncipe, nunca rei,
para quem sabe um dia,
Embalar...

Raffa Gomes
25/07/09
22:16

(Som - Meia noite / Comadre Fulozinha )
http://www.myspace.com/mairahrocha

sábado, 11 de julho de 2009

Carne e osso ( por Raffa Gomes)





De pele e osso te concedo,
magia e arte que arde, cá aqui dentro,
pulsando forte feito flor nascendo
deixando de lado, outros ventos
sinceros apartes, sem nexo. Conventos.

Destilado de gente com etéreo,
poesia viva,materializada corpo
ao invés de pétala. Beijo roubado
do poeta, servidor eterno, da beleza pétrea
destas feminilidades sem maliçia. Despidas.

Quando da verdade, não é o momento.
Nasce, cresce, vive, reproduz e morre
fazendo suar, o corpo alheio.
Nunca é tarde!

(Som : Berimbau - Vinicius e Tom)

terça-feira, 7 de julho de 2009

Aquele Lugar ( por Raffa Gomes)




Hoje não fui lá,
decidi namorar as vontades que me davam
lembrando, a certeza de te ver, ali
feliz, vivendo ventanias de danças,
desregradas,ao saber dos tambores.

Corpo leve, malemolengo,
compositor da sinfonia da discordia
entre ser humano e o perfeito,
com apoio de um sorriso ensolarado
semi-poético-apaixonado

Quiçá sonho,outrora estive lá,
lugar de devaneio, colo de mãe solteira
com filho único homem, verdadeira
escola dos movimentos humanos
quando da sua totalidade!

Tardes regadas a Calor e frio,
verbo anunciado pelo divino lábio,
nuances vistos, vindo do cabelo,
passeando pelo seio até a pelve,
terminando maroto,perto do pé!

Não fui e me arrependo,
tenho saudade me corroendo,
fervendo entranhas, como dentro
de caldeirão, pulsante. Feito feroz e arteiro
coração, serelepe, selvagem, desastroso.

Não fui aquele lugar maldito,
onde as flores brilham mais,
as palavras tem mais peso,
os semblantes, mais morenos,
as elegias não são do passado;

E todos os momentos, sem por menor
são de intenso e diverso divertir.
Desgarrada ascenção do que viria a servir
a forma de definição do amor, pela raça
que impreguina a tua carne.


( Som : Novos Baianos - Preta pretinha)

domingo, 28 de junho de 2009

Cavaleiro errante! (por Raffa Gomes)




Cada dia mais longe numa estrada,
A estrada se faz farça aos olhos do andante.
Caminha, tendo no sonho uma única parada,
Ao encontrar seu amor, lá, sempre no horizonte
De um errante, sem nome, sem ponte
Com histórias e mais nada;

Velozes mosquetas assopram suas vestes cansadas,
Estas vestes, um dia, uma hora estarão por um fio,
Aquele mesmo fio que um dia formou de fato
O que hoje não é fio é trapo,

mas carrega o andarilho com uma força
no encalço d'uma moça, que está sempre além,
E esta gana de chegar noite, aurora,
Só com o apoio da flor, que outrora,
Lhe arrancara sorrisos.

Deixa saudade na estrada por onde passa,
Até esta, que sem fim começa, faz o possível,
De encurtar a distância, que separa
A moça deste velho mendigo.

Por ter abandonado tudo que havia criado,
Desde galinha, gato, até homem afilhado,
Virou andante, cavaleiro cego, errante,
Andarilho de um amor distante, e de coragem
Que busca incessante, pois é amor de verdade!

Lembrou-se um certo Cervantes,
Lembrou que aquele tinha companhia,
Fez a benção ao renomado de antes
E fez da sua viola, Pancho Villa.


(som - Céu/Véu da Noite)

sábado, 20 de junho de 2009

Convite ( por Raffa Gomes)



Para Deborah

"...menina, mãe, mulher
maldita aliteração que cabe,
tão literalmente, num ser humano só,
e é usado em todas as suas possibilidades,
com uma arte desumanamente trabalhada,
com força, luta armada interna
desfechada em ribombar de batuques
desencontrados, mas numa cadência
nunca musicada.

Fagulha,
incendeia já queimando todo o combustivel
surpreendido afeminando fogo fátuo feroz
forte e ferrenho, vosciferado as fartas vozes
que dentro dela gritam, disputando quem
nesta hora irá dominar ou ser dominado,
sabendo que os dias
não esperam as fragilidades, mesmo eles
cientes de o quanto as tuas sensibilidades,
são parte da estrutura que caminha ao seu lado!
Quase dentro de si.

Mesma chegada em bando
alinhado, sem caminho,
tortuosa forma de avisar.

Sem motivo, sem obrigação do que,
quando o medo é assunto da discussão,
como fragmenta palavra para explicar,
pensando forma das sutilezas esvoaçadas
dos porquês que ditos serão ...

Pretinhosidade preciosa.
Sobre todas as coisas, falha nas tempestades
que por assim o serem, perfeitas são.
Sem necessidades de explicação,
dado que a vida encontrou, assim e só, o jeito
de chegar onde estou, e és. Por consequência;

Desconstruindo um tipo, desregrado
mas tão bonito quanto todos os brilhos
das estrelas nas noites sem lua de um qualquer sertão.
( e estes, brilhos,
todos eles, pulsando fininho
infinitinho
parecem estar dentro
de um só olho)

Refazem todo o sonho do poeta
de encontrar - como agora - na musa tanto
feia quanto bela, as não felicidades
que habitam dentro dela,

Para crescer junto,sem demora nem espera:
Vamos?"


Raffa Gomes
16/06/09
22:22pm

(sons: Pretinhosidade e Estácio Holly estácio - Mart'nália e Luiz Melodia)

terça-feira, 9 de junho de 2009

Pedra ( por Raffa Gomes)




"Cabe a pedra que não se mexe,
ser pedra por não ter olhos,
e se ser por completa,
ao não saber nada,por ser pedra,
mas existir por inteiro.

E aos olhos,firmar uma conciência
de não ser só olhos,por ter te em presença
e verdade,e sapiencia da maldade,onde ela afeta!
Mesmo sendo a água que fura a pedra

Mas de ser pedra,quando por inteligência,
e saudade,quando por viscoso líquido,
ferindo,rasgando um inerte corpo,
sem movimento visível,movimentando.

Fundir de dois corpos que se consomem
em uma nesga de tempo,quase tema
de epopéia do vento,que tambem destôa
a forma da primeira,que agora,está morta!

Vontades."

sábado, 6 de junho de 2009

Passagem (por Raffa Gomes)



Qualquer coisa entre o irreal e o desumano
Meus olhos não acreditam no que estão vendo
Meu deus, por favor, explica-me se sonho
Ou mate-me para não ficar sofrendo!

Se é um anjo, sou medonho.
Toda a parte que não quero dentro do medo!
Se é bicho, sou estranho,
Nas tardes frias que desconheço meu outono.

Meia-morte. Mundo deposto.
Problemática enfadonha. Alvoroço
Entre aqui fora e lá dentro

Tudo voa. Movimento coletivo.
Balançar escancarado. Fino
E sutil traço do amor que passou!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Quem vai dizer? (por Raffa Gomes)



"Lápis boca que cospe palavras,
boca seca,sem grafite pra dizer
lôas de verso,mesmo desregradas,
combinadas com o saber escrever.

Lábio desperto,para sensação qualquer,
que o grafite ereto,propuser descrição!
A parte o que serve a vermelhidão,
o cinza morto,d'um quase bem-me-quer.

Folha ansiosa,pelo tocar do grafite,
ao poeta estranho,não se fala d'outra sensação...
Quando o primeiro e o segundo se encontram
nasce uma quimera,fora de controle..

E o poeta,fingindo saber da relação
que teria,se sua boca,fosse a folha,
e o lápis,a outra em questão"

(som - Dj Rubus:Starlight Feat Emma Lamford)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Ela vem em bando




"...Veio,na boca do vento
um barulho insandecido do teu cheiro.
- Ela vem em bando! - Divisei.
Susto destes que a gente é pego e estaguina.

Pensei ser revoada
- Será que alcanço a braço ,abraçar o todo?
Divisei!
Com conforto e sem esforço o fiz.
Verborragia corporal de sensações.

Vadiagem aplicada destas lágrimas,
pêgo em prantos loucos
sem motivo declarado
a voar sozinho e afoito
no abraço deste vento incauto...
...Sumi..."


(som - ponta de areia por Esperanza Spalding)